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  • Vida e Morte do Universo Estendido da DC

    8 de abril de 2019

    Vida e Morte do Universo Estendido da DC

    Ano passado eu escrevi (num blog que eu atualmente mal mexo) sobre os dez anos de “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e o DCEU entre “Homem de Aço” e “Liga da Justiça”. Mas dessa vez eu resolvi falar especificamente do (hoje semi-morto) Universo Estendido da DC.

    Após o fechamento da trilogia de Christopher Nolan em 2012 a DC queria manter aquela ideia de algo mais próximo do mundo como vivemos e, com o mesmo Nolan como produtor, Zack Snyder foi chamado para um novo filme do Superman. No ano seguinte estreou “Homem de Aço”, com Henry Cavill no papel do último filho de Krypton, Michael Shannon como o vilão General Zod, Amy Adams como Lois Lane e mais uma galera. Eu considero esse um filme muito subestimado por uma parte das pessoas, mas eu sou obrigado a dizer que aquele não era o Superman. Cavill se mostrou um ótimo ator, Shannon foi arrasador como Zod, mas faltou algo ali: o Super é um personagem muito pra cima, a personificação da esperança… e o Super do filme é atormentado pela morte do pai (que ele foi PROIBIDO de salvar) e até parece um tanto deprimido além disso. A personificação da esperança ainda viria, mas levariam cerca de quatro anos pra isso.

    Três anos depois um ambicioso projeto chega aos cinemas: “Batman vs Superman: O Alvorecer da Justiça”, que colocaria frente a frente dois dos maiores heróis do mundo num duelo. Ben Affleck foi chamado para interpretar Bruce Wayne e Batman, Gal Gadot seria Diana Prince e a Mulher Maravilha e Jesse Eisemberg foi escalado como Lex Luthor. O clima sombrio tomou conta de vez da história, principalmente com Batman na brincadeira e Lex Luthor brincando de deus ao usar o corpo de Zod para criar Doomsday. O filme tem bons momentos, mas o motivo que leva o Batman a não matar o Superman ser o nome de sua mãe (Martha Kent, ‘xará’ de sua falecida mãe Martha Wayne) é uma das desculpas mais absurdas para resolver uma luta e os transformar em amiguinhos contra uma ameaça maior, que levou à morte do Superman. E a entrada da Mulher Maravilha na história era o necessário para termos um filme solo da heroína. Porém um dos maiores erros da história da DC veio antes disso.

    “Esquadrão Suicida” estreou ainda em 2016. Com Will Smith como o Pistoleiro, Margot Robbie como a Arlequina, Viola Davis como Amanda waller e Jared Leto como Coringa (e mais um pessoal) o filme prometia que vilões às vezes também podem ser heróis. Era verdade, mas a coisa foi uma bagunça absurda e não funcionou como deveria. Eu tenho até dificuldade de falar desse filme porque ele tem um roteiro bisonho e algumas atuações duvidosas (mesmo eu gostando de Viola e do Homem Bumerangue do Jai Courtney). A DC deve esquecer que isso existiu com o novo Esquadrão Suicida, que sairá pelas mãos de James Gunn.

    Chegamos em 2017 e “Mulher Maravilha” se torna um sucesso de crítica e público. Gal Gadot volta como a Mulher Maravilha, mas o filme se passa durante a Primeira Guerra Mundial. Somos apresentados a Steve Trevor (Chris Pine, excelente no filme), quando seu avião cai próximo a ilha das Amazonas e Diana o salva. Ela então parte de Themyscira para ajudar Trevor a acabar com a Guerra das Guerras (até 1939, como todos sabem) e os planos de Ares (David Thewlis, o Remus Lupin de Harry Potter). O filme vai muito bem, com uma cena magnífica nas trincheiras, até chegarmos à parte final, onde TUDO desanda de forma inacreditável e o filme perde grande parte de sua força. Ainda é um dos melhores filmes do DCEU, mas longe de ser um grande filme.

    Foi aí que a DC resolveu, finalmente, trazer a Liga da Justiça para combater um perigo enorme, que se trata de Steppenwolf (Ciarán Hinds, atualmente lembrado pelo Mance Ryder de Game of Thrones). Ele está em busca das Caixas Maternas para dominar completamente a Terra. É aí que entram Aquaman (Jason Momoa, o eterno Khal Drogo de GoT), Flash (um ótimo Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher), além do Batman de Affleck e a Mulher Maravilha de Gadot. Mas eles precisariam de alguém mais forte para conseguir lidar com Steppenwolf, e o Batman resolve apostar em trazer o Superman à vida, num ato desesperado para conseguir impedir o fim do planeta. E quando ele volta FINALMENTE temos o Superman entrando no DCEU. Vemos ali a leveza, a pureza e aquela visão de esperança que tanto se esperava do personagem, que foi decisivo na derrota do vilão. Tudo isso dito, o filme foi um fracasso retumbante de público e crítica (apesar de eu realmente gostar do filme). Os problemas, principalmente com a morte do filho de Zack Snyder e a entrada de Joss Whedon para terminar o filme, foram diversos. Foi então que a DC parou e pensou: acho que está na hora de tentarmos uma nova abordagem.

    No final de 2018 “Aquaman” chega aos cinemas. Com uma vibe totalmente diferente dos tons de cinza de Snyder até então o filme deu um novo respiro à DC. Arthur Curry (Jason Momoa) se vê jogado no meio de uma tentativa de guerra entre atlântes e humanos, causada pelo seu meio-irmão e agora rei de Atlântida Orm (Patrick Wilson, ótimo) e pelo Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II, numa das piores atuações que eu já vi num filme do gênero). Essa tentativa de mudar a cara da DC (e começar a enterrar o DCEU) deu certo, e Aquaman foi um filme que deu muito mais certo do que todos os outros da DC, chegando à casa de 1 bilhão de bilheteria. Era o que a DC precisava para agora trazer o filme que pode ser o verdadeiro divisor de águas na DC atual.

    Semana passada (04 de abril) “Shazam!” estreou nos cinemas, e com uma aura família e finalmente esquecendo (e enterrando) os tons cinzas de Snyder o filme chegou dividindo opiniões. Como eu já falei no post anterior, a história do garoto Billy Batson (Asher Angel), que se torna o novo Shazam para combater o campeão dos Sete Pecados Capitais, Dr. Silvana (Mark Strong) a DC entrou definiticamente numa nova fase, em que ela provavelmente vai evitar um universo 100% compartilhado e que respeite as características dos personagens, como esse Shazam ser divertido e extremamente leve em comparação aos outros (talvez só o Flash de Ezra Miller em “Liga” se compare, porque vejo o Aquaman do Momoa apenas muito ‘cool’).

    Agora resta aos fãs aguardar como se portará a DC daqui pra frente. “Aves de Rapina” e “Coringa” estão em produção, e se eles mantiverem essa visão de acertar o tom pode ser que a DC finalmente volte aos trilhos de vez!

    Postado por Will Sparrow

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