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  • Um pitaco sobre o “Visionário” diretor Zack Snyder

    16 de fevereiro de 2021

    Um pitaco sobre o “Visionário” diretor Zack Snyder

    Um pitaco sobre o “Visionário” diretor Zack Snyder

    Lá atrás, antes de se tornar o “visionário diretor de 300”, Zack Snyder era um diretor de clipes (dirigiu clipes de Soul Asylum, ZZ Top, Morrissey e My Chemical Romance). Mas ele mostrou ao que veio mesmo no seu excelente remake do clássico de George Romero “Madrugada dos Mortos” (aqui mais uma curiosidade: o roteiro do remake ficou a cargo de James Gunn). Um trabalho competentíssimo e um baita filme logo de cara elevou a categoria de Snyder, que em seu próximo trabalho em Hollywood foi o que alavancou de vez sua carreira: “300”, adaptação da HQ de Frank Miller. Sucesso estrondoso, e Snyder se aventurou em outra adaptação de HQ, mas essa era mais perigosa devido aos fãs raivosos (e uma tia barbuda tremendamente chata com qualquer adaptação de suas obras): “Watchmen”, a masterpeça de Alan Moore. Apesar de dividir opiniões, eu particularmente achei o filme incrível, e com um final bem mais crível que o da HQ de Moore. Após isso ele se aventurou numa adaptação literária em CG, “A Lenda dos Guardiões”, baseada no primeiro livro da série “Guardians of Ga’Hoole”. E foi aí que ele finalmente apostou numa história própria, uma fantasia cheia de ação e quase uma viagem de ácido: “Sucker Punch”. Esse filme também dividiu opiniões, mas fui dos que gostou bastante do filme.

    Agora entramos no verdadeiro divisor de águas na carreira de Snyder: o DCEU. Eu já falei sobre a vida e morte do DCEU num post há um bom tempo atrás, mas agora o foco é o próprio Snyder. Ele entrou de cabeça num tipo de releitura sombria e realística de todo o universo DC, seguindo o que Christopher Nolan fez com o Batman em sua trilogia. Só que com o Batman isso funciona porque o personagem é sombrio de certo modo. O Superman de Henry Cavill parecia atormentado e deprimido, fugindo do Superman que normalmente vemos (mas que fique claro que já vimos sim ao menos uma vez um Superman assim dentro do cânone: Injustice). O filme, como em boa parte da carreira de Snyder, dividiu opiniões, mas dessa vez tendendo mais às críticas negativas. E foi nesse clima que, três anos depois, chegou “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”, dessa vez incluindo na brincadeira o Batman de Ben Affleck e a Mulher Maravilha de Gal Gadot. Um fracasso retumbante de crítica e público, que não impediu de vir o próximo filme: “Liga da Justiça”, onde entrariam ainda o Aquaman de Jason Momoa, o Flash de Ezra Miller e o Ciborgue de Ray Fisher. Mas um desastre pessoal afastou Snyder da conclusão do filme: sua filha cometeu suicídio, e o diretor obviamente não teria cabeça para seguir no projeto, que a essa altura estava perto de ser finalizado. Entrou então Joss Whedon para finalizar a obra, só que a decisão se mostraria um desastre completo e o filme da Liga foi um fracasso ainda maior do que o filme anterior. E foi à partir daí que os fãs clamaram pelo chamado Snyder Cut, que rapidamente se tornou um tipo de lenda da internet. E após anos de encheção de saco a Warner cedeu, e Snyder enfim recebeu sinal verde (e 70 milhões de dólares) para finalizar sua versão, que hoje se chama “Zack Snyder’s Justice League” e estreará em 18 de março na plataforma HBO Max. E também teremos mais um filme de zumbi de Snyder saindo pela Netflix, “Army of the Dead”, em algum momento de 2021.

    Tracei todo esse histórico de Snyder para, agora, opinar sendo o mais imparcial possível. Snyder tem muito mérito em boa parte de sua filmografia, mas admito que o DCEU foi um enorme deslize (mesmo eu não achando tudo um desastre como muita gente diz). Eu só acho que a legião de fãs e seus detratores são um bando de gente chata pra caralho, e nenhum dos lados consegue ceder um milímetro para entrar num acordo e conviver pacificamente. E aí agora qualquer coisa que anunciam de Sndyer, como a versão P&B da Liga ou uma nova adaptação da lenda do Rei Arthur se torna um duelo desnecessário sobre ser relevante ou não. Ambos os lados se tornam irritantemente inconvenientes, e torna a discussão inviável por serem, e vou me repetir de propósito, CHATOS PRA CARALHO. Eu vou esperar pra ver as quatro horas do Snyder Cut antes de opinar de forma categórica, e até lá esse texto é a única coisa sobre Snyder que pretendo dizer.

    Postado por Will Sparrow

    Avatar do Caos, otaku da velha guarda, brony nas horas vagas.