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  • Um Palhaço Muito Louco *ou minhas impressões sobre A Coisa*

    30 de outubro de 2019

    Um Palhaço Muito Louco *ou minhas impressões sobre A Coisa*

    Em 2015 eu escrevi esse texto, que agora virá com adaptações porque dois filmes saíram nesses quatro anos.

    Quando assisti ao telefilme de “It: A Obra Prima do Medo” pela primeira vez, alguns anos atrás, vi que eles conseguiram traduzir bem uma grande obra de Stephen King (seja no tamanho do livro, com mais de 1100 páginas ou na qualidade da história, que é fantástica) em pouco mais de três horas. Mas claro que eu ainda precisava ler a obra pra ter certeza disso. E foi o que fiz em 2014, quando a Suma das Letras finalmente relançou a obra em terras tupiniquins. Comprei logo que o livro foi lançado (não comprei em pré-venda, uma vergonha pra minha pessoa!) e levei cerca de um mês para conseguir terminá-lo. Ainda considero o filme uma boa adaptação, mas o terror que a história e, principalmente, Pennywise transmitem não foram completamente exprimidos na tela.

    (Na época que escrevi esse texto esperava pelos novos filmes com um misto de preocupação e anseio, principalmente pelo trabalho de Bill Skarsgård como Pennywise, e não me decepcionei!)

    Bom, vamos ao que interessa: o livro. Desde o começo, quando acontece a primeira morte (e a primeira aparição de Pennywise) já fica um clima tenso, que a cidade de Derry realmente tem algo de estranho, alguma coisa que ninguém vê mas que torna a cidade realmente assustadora. Aliás, a “Coisa” em qualquer de suas formas é definitivamente tensa. E um personagem muito bem utilizado, sendo um dos preferidos dos fãs de King quando falamos do quesito maldade.

    O “Clube dos Perdedores” (Losers’ Club no original) é composto por personagens que marcam de alguma forma. Temos o piadista (Richie Tozier), um com problema de gagueira (William ‘Bill’ Denbrough), o gordo que sofre bullying (Benjamin ‘Ben’ Hanscom), o com problema de saúde (Edward ‘Eddie’ Kaspbrak), o garoto negro alvo de racismo (Michael ‘Mike’ Hanlon), o escoteiro e judeu (Stanley ‘Stan’ Uris) e a garota cheia de personalidade (Beverly ‘Bev’ Marsh). Temos aqui um grupo forte de personagens, principalmente quando unidos. Bill é um líder nato, Bev desde cedo mostra ser uma garota de atitude e forte, Ben beira o gênio quando se trata de engenharia (vide a cena da represa), Richie sempre tem uma piada na ponta da língua (seja em boa hora ou fora dela), Stan tem um grande conhecimento acumulado, Eddie sempre está pronto pra ajudar no que quer que seja e Mike, o último a se juntar ao clube, demonstra uma bela força de vontade.

    Temos ainda o trio de “vilões”, formado por Henry Bowers, Victor Criss e Reginald “Belch” Huggins. Victor Criss e “Belch” Huggins normalmente só vão na onda de Henry, o único do trio que REALMENTE é mal, tanto que Pennywise mais de uma vez se utiliza dele para tentar dar cabo do “Clube”. Aliás, Henry é reconhecido como um dos personagens humanos mais sádicos dentro da bibliografia de King. Muitas ações dele são completamente descabidas para alguém da idade dele, desde criança.

    Pennywise é um caso à parte. A entidade chamada apenas de “Coisa”, mas que em vários momentos assume a forma de “Pennywise, o Palhaço Dançarino”, é a encarnação do mal que toma conta da cidade de Derry desde antes da existência da cidade. Ela dorme por 27 anos e então acorda, faminta e com sede de sangue, deixando um rastro de crianças desaparecidas e no fim de cada ciclo um grande acontecimento que gera uma grande quantidade de mortes. Nunca foi encarada, até conhecer o Clube dos Perdedores.

    A história como um todo é fantástica, tanto quando o “Clube” ainda é adolescente como no momento em que, já adultos, retornam a Derry para, mais uma vez, enfrentar a “Coisa”. A lição de amizade e o fim da infância e adolescência que King mostra nesse livro é maravilhosa, como acontece no conto “O Corpo” (do livro “Quatro Estações”). O enredo pode parecer cansativo às vezes, mas eu vejo como necessário pra compreendermos melhor os personagens e seus problemas (sejam de ordem pessoal ou seu envolvimento com a Coisa).

    De modo geral, é um dos melhores livros de Stephen King que li até hoje (e já perdi a conta de quantos li!).

    Postado por Will Sparrow

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