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  • O Kingverso

    16 de setembro de 2019

    O Kingverso

    Um amigo me desafiou a falar sobre o “Kingverso”, já que grande parte dos livros de Stephen King giram em torno de um mesmo universo, tudo ao redor dos eixos da Torre Negra. Vários livros do King acabam tendo uma menção a casos, personagens ou mesmo à própria Torre em algum momento. Vou tentar fazer o melhor para dar um panorama disso nesse texto.

    A Torre Negra é a magnus opus de Stephen King. A história da busca do Pistoleiro Roland Deschain pela Torre Negra, do Homem de Preto e do Rei Rubro se passa durante sete livros. Em seu caminho Roland vai criando vínculos a personagens que formam seu Ka-tet (olha a referência aqui no site!) para esta desventura. E diversas vezes na obra é citado os eixos (ou feixes) da Torre, que seguram todo o universo. O fim da Torre seria o fim de tudo, e é isso que Roland pretende evitar. Mas mesmo dentro de A Torre Negra temos logo duas citações interessantes. Padre Callahan entra na vida de Roland e seus amigos na chegada a Calla Bryn Sturgis. Esse é o mesmo Padre Callahan que é humilhado num embate contra o vampiro Kurt Barlow no obra “‘Salem”. Assim como durante a viagem deles entre as dimensões (numa fissura dos feixes da Torre) eles encontram um jornal dizendo que o mundo foi devastado pela “Capitão Viajante”, uma supergripe que fugiu do controle das autoridades do mundo. É a mesma supergripe que causou o mundo pós-apocalíptico de “A Dança da Morte”, livro que tem como seu principal vilão o poderoso Randall Flagg, que é o mesmo Homem de Preto de “A Torre Negra”.

    “It” é outro caso interessante. A Coisa é um ser do macroverso. Em A Torre Negra existe uma criatura chamada Dandelo, que é dito ser relacionada ou algo muito similar à criatura de “It”. Ainda dentro da Derry de “It” cito dois casos: em “O Apanhador de Sonhos” os personagens em determinado momento passam por uma placa dedicada ao “Clube dos Perdedores”, e nela também se lê uma pichação dizendo “Pennywise vive!”. E em “Novembro de 63”, numa das voltas do tempo de Jake Epping ele passa por Derry em 1959. Lá ele encontra duas crianças e conversa com elas. Seus nomes: Richard Tozier e Beverly Marsh, dois dos Perdedores. Ainda em “O Apanhador de Sonhos” os amigos Gary Ambrose “Jonesy” Jones, Pete Moore, Joe “Beaver” Clarendon e Henry Devlin usam a sigla SSDD (“same shit, different day”) para denominar o grupo. Essa frase é muito usada por Ellis Boyd “Red” Redding em “Um Sonho de Liberdade”.

    Em “Insônia” o personagem principal Ralph Roberts precisa salvar o garoto Patrick Danville, que estava sendo atacado pelo Rei Rubro (olha a Torre Negra atacando de novo). Esse mesmo Patrick Danville aparece no final de “A Torre Negra” mantido preso por Dandelo, pois ele possui o poder de alterar a realidade por meio de sua pintura. Um poder muito semelhante a esse é encontrado em “Duma Key”, no personagem Edgar Freemantle.

    Eu provavelmente poderia perder mais horas aqui analisando, mas existem muitas outras ligações mais complexas e menos conhecidas, como uma personagem que aparece em “Desespero” e também aparece em “Rose Madder”, assim como uma personagem da “trilogia Bill Hodges” que acaba aparecendo com bastante destaque em “Outsider”.

    De fato é complexo tentar analisar o Kingverso como um todo, mas esse panorama já dá uma ideia básica de como King tenta linkar tudo em seu universo de algum modo. Uma pena que nunca fizeram o mesmo nos filmes, mas isso está começando a acontecer na série “Castle Rock”, que foca em histórias fechadas que citam acontecimentos ou mostram personagens de livros de King em histórias inéditas.

    Postado por Will Sparrow

    Avatar do Caos, otaku da velha guarda, brony nas horas vagas.