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  • Coringa – E Aí?

    3 de outubro de 2019

    Coringa – E Aí?

    Devo admitir: acho que esse vai ser o filme mais complexo de escrever sobre até hoje de minha parte. Não apenas por ser um filme com certo grau de complexidade pra se lidar, mas porque de fato ainda não defini 100% o que achei dele.

    Vamos ao de sempre: Coringa trata da história de Arthur Fleck, um cara comum que entra numa descendente de merda na vida e numa espiral de loucura até o ponto em que ele acaba chegando ao personagem-título. Não dá pra ser mais direto do que isso e reclamar de spoiler nisso é besteira porque o trailer deixa isso claro. Mas agora vem o ponto onde o filme traz sua complexidade.

    Muito se falou que “Coringa” seria um incentivador explosivo para os incel, e aí eu entro num ponto importante que o filme trabalha de modo interessante: a mente da pessoa. Se uma pessoa que já tem tendência a abraçar alguma merda e fazer alguma coisa também merda então sim, talvez o filme acabe sendo um gatilho. Mas eu defendo o filme aqui, porque o diretor em nenhum momento claramente DEFENDE as ações que levam Fleck à espiral de loucura, apenas trabalha a visão de Fleck na história e deixa em alguns pontos a IMPORTÂNCIA de procurar um tratamento para os problemas que ele desenvolve. Mas a mente de Fleck chega num ponto onde nada mais daria jeito provavelmente, e é aí que entra o gatilho pra essa gente que em certo nível NÃO QUER ser ajudada ou SE AJUDAR.

    Voltando ao ponto onde a visão é única e exclusivamente a de Arthur Fleck, o filme te faz SIM criar uma empatia com a situação do personagem, mas é aqui que entra no que eu vou chamar de dubiedade moral do filme. Você pode talvez criar alguma empatia com a situação de Fleck e ao mesmo tempo simplesmente não concordar com NENHUMA das ações dele, e isso seria até absolutamente normal. Mas aí vai da bússola moral de cada um para entender as ações de Fleck e as consequências delas na vida e na mente dele.

    Numa análise fria fico com o que o caro amigo Paulo Bernal disse: é um filme único, e admito que fiquei satisfeito com o que assisti. E principalmente com a atuação MONSTRUOSA de Joaquin Phoenix, que parece que só melhora com o passar dos anos (e olha que já o considero excelente desde “Gladiador” e “Sinais”).

    Então é isso: vale a ida ao cinema? Sem sombra de dúvidas. Pra ver essa atuação de gala de Phoenix e para você mesmo tirar suas conclusões sobre tudo o que eu disse aqui, porque acho que acaba sendo importante isso: você concluir por si mesmo se é ou não uma bomba relógio que pode explodir em algum momento.

    Postado por Will Sparrow

    Avatar do Caos, otaku da velha guarda, brony nas horas vagas.