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  • Jojo Rabbit – E Aí?

    1 de fevereiro de 2020

    Jojo Rabbit – E Aí?

    Como eu comentei no texto sobre 1917 os filmes de guerra normalmente têm como foco a Segunda Guerra Mundial. Mas são poucos os casos em que o foco são os nazistas, como acontece no espetacular “A Queda: As Últimas Horas de Hitler”. E mais raro ainda é um filme como Jojo Rabbit, que de uma forma lúdica trata de um assunto pesado: o ódio pelos judeus.

    O filme tem como foco Johannes Betzler (Roman Griffin Davis), um garoto de dez anos que sonha fazer parte da Deutsches Jungvolk, divisão infantil da Hitlerjugend (Juventude Hitlerista), mas que sofre um acidente com uma granada num acampamento do grupo. Com seu amigo imaginário Adolf (Taika Waititi), vive com sua mãe Rosie (Scarlett Johansson) em Berlim às vésperas da invasão aliada. Um dia ele descobre que uma garota judia chamada Elsa (Thomasin McKenzie) vive dentro da parede do quarto de sua falecida irmã. Daí surge uma relação improvável entre os dois, e Jojo precisa saber como lidar com isso enquanto ainda trabalha para o Reich em coisas como entregar folhetos.

    Taika Waititi já se provou um excelente contador de histórias (basta assistir a “O Que Fazemos nas Sombras” ou até mesmo “Thor: Ragnarok”), e em Jojo Rabbit não é diferente. O diretor consegue tratar de um tema tão espinhoso de um jeito leve, divertido e com uma sensibilidade única. O caráter absurdo que o nazismo por si já traz auxilia o modo lúdico com que vemos a interação de Jojo com Adolf, a relação com sua mãe (que também precisa bancar o pai enquanto ele está fora na guerra) e a conflituosa (mas divertida) relação com Elsa, que evolui de forma incrível durante a história. Temos também o único amigo de verdade de Jojo, Yorki (Archie Yates). Ele é nossa âncora na realidade, contando como está a situação da guerra e as novidades. Também temos o Capitão Klenzendorf (Sam Rockwell), uma figura caricata que mostra como o exército já parecia abatido e certo da derrota. A monitora do acampamento Fraulein Rahm (Rebel Wilson) e o braço direito de Krenzendorf Finkel (Alfie Allen) também tem ótimos papéis na história.

    Waititi faz de Jojo Rabbit um ode contra o ódio, e merece ser aclamado. A evolução de Jojo, desde o garoto que sonhava ser guarda costas de Hitler até o final é maravilhosa, e todos devem assistir a esse filme ao menos uma vez. Ele nos ensina como devemos entender o que é diferente antes de só repetir um discurso que pode ser completamente mentiroso, como o nazismo fez em todo o tempo. É um filme ainda mais necessário num mundo que parece tomado pelo ódio de todos os lados.


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    Postado por Will Sparrow


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    Avatar do Caos, otaku da velha guarda, brony nas horas vagas.